acervo

A motivação do Instituto Hercule Florence no que diz respeito ao acervo de documentos, fotografia, iconografia e publicações sobre o século XIX corresponde à relevância histórica, cultural e social daquele período.

O conjunto inicia-se com o acervo 1.300 itens formado pela rica coleção e arquivo de Dr. Erico João Siriuba Stickel. Destaca-se os diários da Condessa de Kühnburg (1782-1824), nobre austríaca e dama de companhia da Arquiduquesa Leopoldina em sua viagem ao Brasil para o casamento com o futuro imperador D. Pedro I.

Em seguida, foi adquirida um raro conjunto de obras bibliográficas e de referência bibliográficas da pesquisadora Dra. Rosemarie Erika Horch, além de seu arquivo, composto por documentos de trabalho e pesquisa, reunidos ao longo de sua carreira.

A chegada da coleção de Arnaldo Machado Florence ao IHF, em 2010, representa um marco, pois esta é a primeira vez que manuscritos originais de Hercule Florence - produzidos durante o século XIX - passam a fazer parte do acervo do Instituto.

Mais recentemente, o Instituto recebeu parte do arquivo pessoal de Rubens Borba de Moraes e uma biblioteca de catálogos e periódicos de referência da Professora Ana Maria de Almeida Camargo.


Coleções

Arnaldo Machado Florence

Espírito Santo do Pinhal, SP, 1911 - Campinas, SP, 1987
Coleção e Arquivo

Perfil

Arnaldo Machado Florence era neto de Amador Bueno Machado Florence (vereador e presidente da Câmara Municipal de Campinas, interior de São Paulo). Industrial e jornalista, foi também fotógrafo e historiador diletante.

Em 1933, a convite do extinto jornal paulistano A Razão, escreve um artigo sobre seu bisavô, Hercule Florence (1804-1879), artista, viajante e inventor. O feito marca o início de seus esforços pelo reconhecimento da descoberta isolada da fotografia no Brasil em 1833 - antes mesmo de Louis Daguerre (1787-1851).

Durante mais de cinquenta anos, Arnaldo Machado Florence participou de conferências, palestras, entrevistas, publicações nacionais e internacionais para divulgar o pioneirismo das pesquisas de Hercule.

Sua iniciativa foi confirmada durante o III Symposium on the History of Photography (George Eastman House, Rochester, 1976) e também pelo livro “Hercule Florence: A descoberta isolada da fotografia no Brasil”, do fotógrafo e historiador Boris Kossoy (1ª edição publicada em 1977).

Acervo

Além dos arquivos de trabalho de Arnaldo Machado Florence, foram incorporados ao Instituto Hercule Florence cinco diários manuscritos por Hercule Florence: L’ami des arts livré à lui même; Correspondance et pièces scientifiques; Livre d’annotations et de premier matériaux (onde pela primeira vez na história se registra o termo “photographie”); 2me Livre de premiers matériaux; e 3me Livre de premiers matériaux.

Dr. Erico João Siriuba Stickel

São Paulo, SP, 1920 - São Paulo, SP, 2004
Biblioteca e Arquivo

Perfil

Filho de imigrantes alemães, formou-se advogado na Universidade de São Paulo em 1944. Industrial têxtil nas décadas de 1960 e 1970, presidiu a Fundação Visconde de Porto Seguro, Fundação Martius e Fundação Stickel. Foi também bibliófilo, colecionador e estudioso da iconografia brasileira.

Sua biblioteca originou-se dos legados de seu tio-avô Johann Metz (1861-1936) e de seu pai Arthur Stickel (1890-1968). Ao longo das gerações, as publicações de e sobre os "viajantes" formaram o que o colecionador denominou "uma pequena biblioteca particular". O acervo incluía também desenhos e aquarelas (hoje conservadas pelo Instituto Moreira Salles) e edições recentes (que podem ser consultadas na Biblioteca Martha e Erico Stickel do IEB-USP).

A importância bibliográfica e iconográfica de sua coleção foi descrita em “Uma pequena biblioteca particular: Subsídios para o estudo da iconografia no Brasil” (São Paulo, 2004), de sua autoria.

Acervo

O IHF incorporou mais de 1.300 volumes de sua biblioteca iconográfica, recebendo as edições raras (de época ou com gravuras originais), os livros de trabalho e as seções de História e Bibliografia.

Recebeu também manuscritos, entre os quais estão os diários da Condessa de Kühnburg (1782-1824), nobre austríaca e dama de companhia da Arquiduquesa Leopoldina em sua viagem ao Brasil para o casamento com o futuro imperador D. Pedro I.

O IHF também conserva o arquivo, resultado de cinco décadas de pesquisa de Erico Stickel, e que inclui 7.000 biografias de personagens relacionados à iconografia brasileira. Este conjunto será disponibilizado futuramente ao público.

Dra. Rosemarie Erika Horch

Rio de Janeiro, RJ, 1929 - São Paulo, SP, 2008
Biblioteca e Arquivo

Perfil

Filha de imigrantes alemães, a pesquisadora nasceu e cresceu na floresta da Tijuca, Rio de Janeiro. Desde menina conviveu com livros e histórias de viajantes, navegantes e exploradores.

Formada em Serviço Social, estudou Biblioteconomia no Brasil e na Alemanha,
e concluiu o doutorado em História na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Iniciou seu trabalho na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Em 1962 foi convidada por Sérgio Buarque de Hollanda (1902-1982) para trabalhar na fundação do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), instituição à qual se dedicou até sua aposentadoria.

Dedicou-se à catalogação, pesquisa e divulgação de incunábulos e obras raras,
colaborando também com instituições estrangeiras, especialmente europeias.

Destacam-se em sua importante produção bibliográfica: Catálogo de incunábulos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, 1957); Catálogo dos folhetos da Coleção Barbosa Machado (Rio de Janeiro, 1975); Álbuns de viajantes que estiveram no Brasil, na primeira metade do século XIX (São Paulo, 1980); Luzes e fogueiras dos albores da Imprensa ao obscurantismo da Inquisição no Sacramental de Clemente Sánchez (São Paulo, 1985); Bibliotheca Universitatis: livros impressos dos séculos XV e XVI do acervo bibliográfico da Universidade de São Paulo (São Paulo, 2000); Bibliotheca
Universitatis: livros impressos do século XVII do acervo bibliográfico da Universidade de São Paulo (São Paulo, 2002).

Acervo

Foram incorporados ao Instituto Hercule Florence parte de sua biblioteca particular, que possui raro conjunto de obras bibliográficas e de referência, e seu arquivo, composto por documentos de trabalho e pesquisa, reunidos ao longo de sua carreira.

Rubens Borba de Moraes

Araraquara, SP, 1899 - Bragança Paulista, SP, 1986
Arquivo pessoal

Perfil

Pioneiro da biblioteconomia brasileira, trabalhou à frente da Biblioteca Municipal de São Paulo e da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, antes de assumir o cargo de diretor da Biblioteca das Nações Unidas, em Paris e Nova York.

Desde muito jovem interessou-se por livros editados no Brasil e sobre o Brasil, formando uma das mais completas coleções de obras raras de que se tem notícia. Suas publicações constituem referência na área da bibliofilia e da cultura nacional: Manual bibliográfico de estudos brasileiros (1949, em colaboração com William Berrien), Bibliographia brasiliana (1958), O bibliófilo aprendiz (1965), Livros e bibliotecas no Brasil colonial (1979), Bibliographia brasiliana (1983) e Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro (1993, em colaboração com Ana Maria de Almeida Camargo).

Acervo

O IHF incorporou ao seu acervo objetos pessoais como, medalhas, xícaras, prêmios, fotografias, artigos e documentos. O Instituto recebeu também livros, folhetos e textos diversos entre os quais estão os Anais do I Simpósio de Professores de História do Ensino Superior (Marília, 1962) e os originais dos capítulos de suas memórias, reunidas postumamente por Briquet de Lemos na obra Testemunha ocular (recordações), publicada em 2011.

Profa. Ana Maria de Almeida Camargo

São Paulo, SP, 1899
Biblioteca e Arquivo

Perfil

Professora de História na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Seu interesse por bibliotecas e arquivos tem se manifestado em obras que enfatizam a importância dos documentos para a pesquisa, como Os primeiros almanaques de São Paulo (1983), Bibliografia da Impressão Régia do Rio de Janeiro: 1808-1822 (1993, em colaboração com Rubens Borba de Moraes), Dicionário de terminologia arquivística (1996, em colaboração com Heloísa Liberalli Bellotto), Como implantar arquivos públicos municipais (1999, em colaboração com Helena Corrêa Machado), Tempo e circunstância: a abordagem contextual dos arquivos pessoais (2008, em colaboração com Silvana Goulart) e Centros de memória: em busca de uma definição (2015, em colaboração com Silvana Goulart).

Acervo

Foram incorporados ao IHF cerca de 4.760 volumes contendo uma biblioteca de catálogos e periódicos de referência e complementam a seção de "Livros sobre livros" do Instituto.